Parte Um

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INTRODUÇÃO

A Editora PenDragon anunciou ao público o encerramento de suas atividades em 24 de janeiro de 2025, notícia que não surpreendeu aqueles que já acompanhavam o que ocorria nos bastidores. Enquanto o comunicado oficial era recebido por leitores de todo o Brasil com tristeza e decepção — um usuário chegou a comentar que a editora “era uma das melhores empresas para (livros) nacionais” e que era uma pena seu fechamento —, muitos escritores que haviam trabalhado diretamente com a casa editorial reagiram de outra forma. Para eles, que conheceram de perto o desgaste de lidar diariamente com uma gestão problemática, a sensação era de alívio: finalmente viam os responsáveis por tantos prejuízos sendo confrontados pelas consequências de seus atos.

 

Para os leitores que acompanhavam de perto alguns funcionários da PenDragon nas redes sociais, o anúncio de fechamento não foi exatamente inesperado. Meses antes do comunicado oficial, diversos escritores já vinham declarando seu desligamento da editora. Em seus relatos, termos como “tristeza”, “desgaste” e “desânimo” eram recorrentes, refletindo o sentimento de quem se dizia lesado pela mesma instituição que, em outros tempos, os havia acolhido sob o emblema da “Família dos Dragões Guerreiros” — símbolo da marca.

Logo da Editora PenDragon/ Fonte: Reclame Aqui

A derrocada da PenDragon, no entanto, não começou apenas nos meses que antecederam o comunicado oficial ou até nas declarações de autores que já anunciavam o fim da relação com a editora. Seu ponto de ruptura remonta a 441 dias antes do aviso ao público, quando o escritor Felipe Saraiça desencadeou o efeito dominó que levaria ao desfecho. Funcionário da PenDragon e autor de algumas das obras mais vendidas da casa, além de ter sido um dos primeiros a integrar o catálogo (quase nove anos antes), Saraiça decidiu se desligar da empresa no dia 11 de novembro de 2023.

 

A surpresa pelo gesto de Felipe Saraiça só não foi maior do que a reação em cadeia que a ação dele provocou. Inspirados por sua atitude, outros escritores começaram a admitir os problemas que enfrentavam e a buscar colegas para compartilhar suas experiências. Logo perceberam que não estavam sozinhos: um após o outro, autores — fossem eles recém-chegados ou veteranos, best-sellers ou não — revelavam enfrentar os mesmos problemas com prazos, pagamentos e condições de publicação já denunciados por Saraiça. O que antes era justificado como simples contratempos revelou-se, na verdade, um padrão recorrente — mais tarde classificado por Felipe como o “modus operandi de uma quadrilha”.

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